Os pais não são super-heróis

Não podemos exigir mais do que o melhor de alguém e ninguém se deve culpabilizar por não conseguir fazer melhor
imagem ilustrativa

Enquanto crianças, para muitos de nós, os pais representam tudo aquilo que queremos ser. São as pessoas que mais admiramos, que mais nos inspiram e que procuramos quando precisamos de ajuda e amparo. São as pessoas em quem mais confiamos e com quem desabafamos. São colo nos momentos certos e representam proteção. São a primeira referência que temos do que devemos ou não fazer, do que devemos ou não ser. São a nossa orientação neste mundo caótico. Para outros, infelizmente, são precisamente o oposto de tudo aquilo que referi anteriormente. As crianças adaptam-se, naturalmente, aos pais que têm. Esta relação pode ser maravilhosa quando os pais são indivíduos saudáveis, mas pode ser assustadora se os pais forem desequilibrados. Às vezes, são as duas coisas. Crescemos a ouvir dizer: “os adultos não choram”, é quase algo que se diz de forma automática. Não podem mostrar parte fraca, principalmente os pais. Claro está que, se as crianças nunca vêm os pais tristes e vulneráveis, nunca vão saber que essas emoções são normais e, mais tarde, já crescidos, levam um choque de realidade. À medida que vamos crescendo, percebemos que os nossos pais são comuns mortais. Também eles têm problemas, traumas, medos, inseguranças, frustrações, também eles adoecem e nem sempre têm solução para tudo. Essa vulnerabilidade dos nossos pais assusta-nos, de certa forma deixa-nos confusos e perdidos porque nunca os tínhamos visto assim. Até aqui eles eram perfeitos, sabiam tudo, podiam tudo e nada os abalava. É nesta fase que percebemos também que já não somos crianças, somos adultos como eles, somos iguais e é-nos exigido o mesmo que lhes é exigido a eles, enquanto cidadãos deste mundo caótico do qual já não nos podem proteger. Na sociedade em que vivemos, embora já mais desconstruída, partilhar emoções e sentimentos está associado a uma certa fragilidade que não se permite ter. A vida é mais bonita quando somos inocentes, inconscientes da realidade. Agora estamos no mesmo patamar, mas somos de gerações diferentes e, nem toda a gente é passível de mudança ou tem disponibilidade emocional para tal. No entanto, por mais que as personalidades entre mãe/pai e filha/filho sejam muito diferentes, o amor continua lá. Pais e mães nem sempre tomam as melhores decisões, nem sempre dizem a coisa certa, nem sempre dão o melhor de si porque são seres humanos, têm as suas próprias personalidades, manias, características, imperfeições e limitações. São pessoas de carne e osso que não podem ser colocadas na posição de super-heróis. A pressão que a sociedade impõe em serem “o melhor pai” e “a melhor mãe”, não é real. Eu não sou mãe, mas sou filha e, embora saiba do amor incondicional que os meus pais têm por mim, nem sempre foram os melhores pais e eu nem sempre fui a melhor filha. Nem sempre os pais partilham da mesma opinião que os filhos, os mesmos gostos, nem sempre aceitam as suas escolhas e vice-versa. Sabemos que numa relação, seja ela de que tipo for, o mais importante é a comunicação e, em contextos familiares é mais difícil ter uma conversa honesta, calma e empática sobre as ações e tomada de decisão de cada um sem que uma das partes se exalte, mas, podemos ouvir e tentar compreender sem termos necessariamente de concordar. No fundo o que quero dizer é que, os nossos pais podem amar-nos incondicionalmente e dar o melhor de si sem serem os pais “ideais” para nós, assim
como nós, enquanto filhos podemos tentar fazer tudo da maneira mais correta e não sermos os filhos” ideais” para os nossos pais. Quando se trata de pessoas reais não há perfeição. Não podemos exigir mais do que o melhor de alguém e ninguém se deve culpabilizar por não conseguir fazer melhor.

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