Exploração de mão-de-obra portuguesa na Suíça
Fotografia via SWI

A exploração de mão-de-obra, acontece, principalmente, na construção civil, restauração, limpeza e agricultura, onde também estão mais expostos ao risco de acidentes.
Fotografia via SWI

Suíça volta a ser o principal destino de emigração para os portugueses. Em 2022, cerca de 60 mil portugueses emigraram, mantendo-se o número estável em relação ao ano anterior. O Reino Unido, anteriormente um destino principal, viu a sua importância diminuir devido ao Brexit, enquanto a Suíça emergiu novamente como o destino mais popular. Por outro lado, todos os anos regressam 20 mil portugueses a Portugal e muitos deles enfrentam dificuldades no seu regresso.

Os Conselheiros das Comunidades Portuguesas na Suíça falam da falta de informação que os portugueses têm, tanto para ir para Suíça e permanecer lá, como no regresso a Portugal ao fim de estadias prolongadas. Há falta de apoio burocrático e administrativo. Quando regressam já não sabem como as coisas funcionam, os impostos que têm de pagar, ou os direitos e estatutos especiais que há para emigrantes. Os Conselheiros das Comunidades Portuguesas na Suíça vieram ainda denunciar a exploração de mão-de-obra que acontece por lá. Há pessoas em Portugal a recrutar trabalhadores para a Suíça, mas chegam lá enganados e muitos trabalham de graça, voltando para Portugal piores do que foram.

A exploração de mão-de-obra, acontece, principalmente, na construção civil, restauração, limpeza e agricultura, onde também estão mais expostos ao risco de acidentes. É-lhes prometido casa, trabalho e viagens. Desesperadas, as pessoas aceitam todas as condições. Há casos de portugueses que deixam a Suíça e ainda trazem dívidas no regresso a Portugal. Por tudo isto, os Conselheiros das Comunidades Portuguesas apelam a uma campanha promovida pelo Governo de Lisboa para que portugueses recrutados para trabalhar na Suíça se informem muito bem junto das autoridades locais e dos sindicatos, antes de partirem. É necessário um alerta para que procurem saber os seus direitos e deveres antes de irem, e mesmo quando regressam.

Os portugueses que têm chegado à Suíça são cada vez mais qualificados, mas não lhes reconhecem esse valor. São vastas as dificuldades pelas quais passam, nomeadamente a integração social que, depende muito do Cantão onde ficam, uns são mais liberais, outros nem tanto. Outro problema apontado pelos Conselheiros Portugueses é, também, o fim do regime fiscal para residentes não habituais em Portugal, um grande entrave para os portugueses que estão na Suíça e ponderam regressar a Portugal. A nível de impostos, Portugal tem uma taxa muito mais alta que a Suíça e, por isso, procuram outras alternativas ou outros destinos. Falamos tanto de portugueses reformados como em idade ativa para trabalhar.

O custo de vida na Suíça é bastante alto e muito diferente do custo de vida em Portugal. Devido aos altos salários e à forte economia, os preços dos bens essenciais como comida, habitação, transportes, e outro tipo de serviços, são também mais altos do que a média mundial. No entanto, existem diferenças de preços entre as diferentes regiões e cidades, sendo algumas áreas mais acessíveis do que outras. Zurique é das cidades mais caras da Suíça, mas também a que oferece mais oportunidades de trabalho e a mais eficiente nos transportes públicos. Se pensa ir para a Suíça informe-se junto das autoridades locais ou através do portal eportugal.gov.pt.

Mariana Neto – Licenciada em Comunicação Social – Comunidade Lusa

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