A consciência do problema vem crescendo, mas pouco ou nada se tem feito para inverter ou desacelerar uma situação que se agrava rapidamente, com picos que batem recordes históricos e colocam o país e múltiplos setores produtivos em situações inéditas e desesperadas. No setor agrícola, a situação é de extrema gravidade, com 89% do território em situação de seca e 34% em seca severa e extrema, principalmente no Alentejo, Algarve e algumas regiões de Trás-os-Montes.
Enquanto, em Espanha, o Governo faz conselhos de ministros extraordinários para reparar as consequências provocadas pela seca, apoiando os agricultores com um pacote de medidas, em Portugal a ministra da Agricultura anda às aranhas e a queixar-se da insuficiência de subsídios disponibilizados pela União Europeia. Há pouco mais de uma semana, anunciou apoios de 180 milhões de euros para os agricultores enfrentarem a conjuntura inflacionista. Mas nada sobre a seca.
Pedro Sánchez injetou 1,3 mil milhões de euros junto dos agricultores, não só para atenuar os efeitos económicos da seca, mas também na ajuda direta à contratação de seguro agrícola contra a seca, medidas fiscais mais favoráveis e uma flexibilização dos mecanismos da Política Agrícola Comum. Tal como o IVA zero, um dia destes teremos António Costa e a ministra da Agricultura a dar resposta tardia a um problema urgente. Quando falamos de seca, é o mesmo que dizer falta de água. Espanha vem implementando políticas de modernização da irrigação há mais de duas décadas, com progressos significativos, que nos têm prejudicado na água que (não) chega do outro lado de lá da fronteira. Com uma indústria agrícola forte, os nossos vizinhos preparam-se para continuar a sugar a água e um dia não vai chegar para todos. Planos para a inverter a situação? Não conheço.
*Editor-executivo