• Abril 3, 2025
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Todos Somos Capazes de Matar?

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Tenho-me debruçado sobre esta questão devido aos últimos acontecimentos em Portugal. Pessoas que matam sem “motivo” aparente, só porque sim. A notícia mais recente foi a de um barbeiro, um taxista e a mulher deste, que estava grávida, que foram mortos a tiro por motivos fúteis e sem qualquer planeamento. Um jovem de 12 anos esfaqueou seis colegas na escola e um outro jovem de 22 anos, foi esfaqueado até à morte devido a uma discussão por um lugar de estacionamento. A sensação de que a vida humana se tornou descartável é perturbadora. A morte de pessoas, frequentemente em situações quotidianas é bizarra e assustadora.

Questiono-me, quais são os limites da moralidade humana? O que nos deveria chocar e causar repulsa está a tornar-se algo comum, indiferente. Queremos acreditar que o ato de tirar a vida de outra pessoa está tão distante de nossa realidade que seria impossível considerá-lo, mas o ser humano é complexo, imprevisível e pode agir de forma violenta e inesperada.

A história da humanidade mostra-nos que, em diversas ocasiões, o instinto de sobrevivência ultrapassa qualquer barreira ética e moral. Esse comportamento violento, ao contrário do que muitos acreditam, não é exclusivamente característico de psicopatas ou pessoas “más”. Qualquer indivíduo, quando submetido a condições de risco extremo ou de ameaça à vida, pode ser levado a adotar ações inimagináveis para se proteger ou proteger os seus.

Além da sobrevivência, os contextos sociais e culturais moldam o que consideramos aceitável ou moralmente condenável. Em tempos de guerra, por exemplo, matar o inimigo não só é aceito, mas muitas vezes incentivado pelo Estado e pela sociedade. Soldados, treinados para esse propósito, muitas vezes agem em nome de um bem maior – a defesa da pátria, da liberdade ou da própria existência. Ainda que isso não justifique moralmente o ato de matar, mostra como o ser humano pode ser condicionado a ultrapassar essa barreira, dependendo do contexto.

Do ponto de vista psicológico, o comportamento humano é extremamente influenciado por circunstâncias. Crimes passionais, por exemplo, muitas vezes envolvem pessoas comuns, sem histórico de violência, que cometem atos brutais em momentos de extrema emoção – seja por raiva, ciúmes ou medo. Nesses casos, o ato de matar não é premeditado, mas sim uma reação impulsiva a uma situação emocionalmente carregada. Isso não significa que matar seja uma tendência universal ou inevitável, mas sim que a capacidade de cometer atos extremos reside potencialmente dentro de todos nós, dependendo das circunstâncias que enfrentamos.

Dizer que “todos somos capazes de matar” não implica que todos nós cometamos ou queiramos cometer tal ato. No entanto, a natureza humana, moldada por milhões de anos de evolução, contém dentro de si o instinto de sobrevivência e a capacidade de adaptação a situações extremas. Sob certas condições, pressões e contextos, é possível que qualquer pessoa seja levada a ultrapassar os limites de sua moralidade e agir de maneira inimaginável.

O importante, portanto, não é apenas reconhecer essa potencialidade sombria, mas também investir no cultivo da empatia, do autocontrole e da compreensão das emoções humanas, para que possamos lidar de maneira saudável com situações de stress e conflito. Afinal, o que nos torna humanos é nossa capacidade de escolher, e a escolha de preservar a vida deve sempre prevalecer sobre a tentação de destruí-la.

Mariana Neto – Licenciada em Comunicação Social – Comunidade Lusa

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