Como sabem, estive quinze dias no Japão a seguir as pegadas dos primeiros ocidentais no Japão, os mercadores portugueses e os padres jesuítas. Ao terminar esta caminhada, conheci em Tóquio um padre jesuíta português que lá vive há mais de sessenta anos, e que por lá espera morrer.
Como alguns dos seus antecessores, fez um trabalho notável de criação de um dicionário de Japonês-Português e está a trabalhar num outro de Português-Japonês, que quer editar. Mas não foi este trabalho que me impressionou no meu encontro com este jesuíta.
O que me levou a escrever este texto foi a sua homilia na missa que celebrou. Afirmou, com muita convicção, que aos portugueses compete assumir a sua responsabilidade na condução deste Mundo, que está condicionado pela guerra, pelo extremismo, pela falta de humanidade pelos mais fracos e pela falta de aceitação dos outros. Tudo aquilo que Portugal tem como características do seu povo e que tem obrigação de levar ao Mundo.
Falou-nos dos exemplos de pessoas que estão em funções internacionais – e referiu o nome de António Guterres -, falou das posições de diálogo que Portugal tem tomado com todos, e falou mesmo de casos que muitos de nós temos olhado como maus exemplos e explicou-nos que, mais importante do que estar de acordo com as opiniões e comportamentos das pessoas, é estar aberto ao diálogo que sempre nos leva ao desenvolvimento e, por isso, à paz.
E nós portugueses temos, verdadeiramente, esta vocação. Sempre a tivemos e vamos continuar a ter, basta que nos deixemos conduzir, sem medo, por aquilo que nos diz o nosso interior.
Estamos a viver um momento de crise internacional, mas estamos, ao mesmo tempo, a viver uma profunda crise de valores a nível interno no nosso país. E é nestes momentos que se torna essencial voltar a compreender a nossa verdadeira vocação.
Como povo aberto, que acredita em valores, que se diz 80% católico, que conhece bem o sofrimento e que, por isso, entende bem o que os outros precisam para o poder aguentar e suplantar, nós temos um desígnio de levar a força ao Mundo. Precisamos de acreditar que aquilo que sabemos ser a correta maneira de viver, que cuida dos fracos, que ajuda os necessitados, mas que promove o desenvolvimento e que sempre tem dado novos mundos ao mundo, é aquilo que o Mundo precisa para ser melhor para voltar a ter paz e para voltar a ser um Mundo de pessoas para as pessoas.
Sei que estas palavras vão ter de imediato a crítica típica do momento depressivo que estamos a viver, de que não somos capazes, de que não somos ricos e de que ninguém quererá saber da nossa opinião. Mas o que eu vejo é que quando um português aceita o desafio de ser grande, quando decide ultrapassar este medo fatal que nos condiciona o pensamento, consegue chegar longe e consegue ser exemplo.
Eu quero seguir a proposta do Padre Jaime Coelho. Um homem de convicção e de missão que não tem medo de afirmar o que quer e que não se esconde perante uma adversidade.
O padre Jaime quer converter o imperador do Japão à fé cristã e trá-lo sempre escrito na sua lapela para que todos o vejam.
Eu quero levar Portugal a ser grande, a ser exemplo, a ser líder e a dar ao Mundo o caminho que o levará à paz.
// Bruno Bobone