O mundo evolui com a tecnologia. O progresso da Inteligência Artificial (IA) assenta em várias tecnologias cujo desenvolvimento tem sido exponencial nas décadas mais recentes, e continuará a crescer. A velocidade com que podemos ter acesso a respostas a problemas de elevada complexidade é uma vantagem competitiva. Cientes das necessidades de adaptação ao trabalho, muitos temem pelo lugar que ocupam nas organizações.
É essencial lembrar que, a IA é uma ferramenta criada e controlada por seres humanos. O seu funcionamento é baseado em algoritmos programados para executar tarefas especificas, como identificar padrões, processar linguagem ou conduzir automóveis de forma autónoma. Embora as máquinas possam aprender com dados e ajustar-se a novas situações, ainda dependem de humanos para a sua criação e manutenção.
A IA, como existe hoje, não tem desejos, intenções ou consciência. Não tem vontade própria. Estes modelos por mais sofisticados que sejam, não compreendem verdadeiramente as consequências das ações que tomam. Eles operam dentro dos limites pré-definidos e de acordo com os objetivos estabelecidos por programadores humanos.
A crença de que as máquinas assumem o controle do mundo é baseada em filmes de ficção como “O Exterminador do Futuro” e “Matrix”. Estas histórias exploram cenários distópicos em que as criações humanas se voltam contra os seus criadores, adquirindo poder e autonomia suficientes para subjugá-los. Embora fascinante como narrativa, este cenário é, até agora, pouco provável no contexto das tecnologias de IA modernas.
Para que uma máquina domine o mundo, seria necessário que desenvolvesse algo que ainda estamos longe de alcançar: inteligência geral artificial (AGI) – uma forma de IA que tem a capacidade de realizar qualquer tarefa intelectual humana, incluindo autoconsciência, raciocínio ético e capacidade de tomar decisões complexas de maneira independente. Atualmente, a IA é muito restrita a funções especializadas. A AGI, por outro lado, representa um objetivo ainda distante e teórico.
A Real Ameaça: O Uso Indevido da IA
Embora a perspetiva de um “domínio” direto das máquinas pareça improvável a curto prazo, os riscos reais relacionados à IA não devem ser subestimados. A questão principal não reside tanto no poder da IA em si, mas sim nas mãos que controlam essa tecnologia. O baixo custo da criação de conteúdo com IA levou a um aumento das deepfakes, que estão a ser utilizadas para fazer engenharia social, ataques automatizados de desinformação, golpes, fraudes financeiras, roubo de identidade e até manipulação de resultados eleitorais.
O futuro da IA não precisa ser uma batalha entre humanos e máquinas, mas sim uma colaboração onde a tecnologia é utilizada para resolver problemas complexos, melhorar a qualidade de vida e enfrentar desafios globais.
A ideia de que as máquinas podem dominar o mundo é mais uma especulação distópica do que uma possibilidade realista, pelo menos nos moldes em que a IA é concebida hoje. O verdadeiro perigo reside no uso que fazemos dessas ferramentas e nas implicações éticas e sociais de sua implementação. Com uma abordagem responsável, a IA tem o potencial de transformar o mundo para melhor, mas cabe-nos a nós, seres humanos, garantir que essa transformação seja positiva e inclusiva. O poder não está nas máquinas, mas nas decisões que tomamos sobre como usá-las.
Mariana Neto – Licenciada em Comunicação Social – Comunidade Lusa