“A Relação mais importante da nossa vida é a que nos permite estar bem connosco. Porque esta relação é para sempre.”
Somos seres sociais por natureza, precisamos uns dos outros para viver. Não somos autossuficientes e somos incapazes de resolver todos os problemas por nós próprios. Isso é normal e natural. No entanto, a habilidade de passarmos tempo connosco é fundamental para o nosso bem-estar físico e psicológico, está comprovado. Os outros alimentam-nos, mas, o que precisamos é do que está dentro de nós.
Passar tempo sozinho pode ser assustador, chato e solitário. Ficarmos a sós com os nossos pensamentos pode ser difícil e rapidamente procuramos distrair-nos e fugir. Mesmo com todas as atividades e eventos, acabamos, muitas vezes, por nos sentir sozinhos na mesma.
Estarmos sozinhos permite-nos viver em conexão com a nossa essência, estarmos em sintonia com os nossos princípios e valores e sabermos mais sobre as nossas necessidades e sentimentos. A capacidade de estar só é de extrema importância para o nosso amadurecimento. Parte de um ambiente seguro em que experimentamos estar sozinhos na presença daqueles em quem confiamos evoluindo para um crescimento emocional que se vai desenvolvendo de forma gradual e vamos a pouco e pouco reconhecendo a personalidade que nos constitui enquanto seres individuais e autónomos, com autoconfiança para desfrutar da auto-companhia.
O facto de passarmos tempo sozinhos permite-nos distanciarmo-nos das situações dos outros e permite-nos ver a realidade com outra perspetiva, sem nos deixarmos envolver pelo ambiente viciado em que nos encontramos. Quanto mais nos afastarmos física e emocionalmente de algo, melhor conseguimos ver, escolher e decidir.
“Se te sentes só quando estás sozinho, estás em má companhia”. É uma frase dura de se ouvir, mas faz-nos refletir. Como é que alguém vai querer estar connosco se não somos uma boa companhia para nós? Tendemos a colocar as nossas necessidades e desejos, assim como a estabilidade emocional na mão do nosso companheiro/a, isso não é justo nem para ele, nem para nós. Se pensarmos que a nossa felicidade vem do exterior, seja sob a forma de pessoa, objeto ou circunstância, deixamos de cuidar de nós próprios e nem nos apercebemos que o estamos a fazer.
Nas relações de casal, acontece muitas vezes deixarmos de fazer coisas que nos faziam felizes antes para estar mais tempo com o nosso companheiro/a ou, até mesmo porque essa pessoa não partilha os mesmos gostos e como não queremos fazer certas atividades sozinhos acabamos por não ir a certos eventos. O normal seria, após um tempo, a pessoa voltar a ter a sua rotina, passatempos, voltar a fazer o que fazia antes de estar num relacionamento. Quando isso não acontece começamos a perder-nos enquanto pessoas, ficamos frustrados, com um sentimento de vazio, não nos reconhecemos.
Esther Perel, psicoterapeuta Belga, afirma que “chegamos a uma pessoa, e estamos basicamente a pedir-lhe que nos dê pertença, identidade, continuidade, transcendência e mistério, tudo em um”. Esperamos que a outra pessoa nos faça felizes e deixamos de assumir responsabilidade pela nossa felicidade.
A dependência emocional é uma das maiores ancoras e fardos que nos impedem de viver com autenticidade. Todos nós devemos praticar a arte da “Solosofia”, desfrutar da vida na nossa própria companhia, sem estarmos dependentes das pessoas que nos rodeiam.
Existe uma diferença entre solidão e solitude
A solitude é um estado de isolamento voluntário e positivo, já a solidão é uma condição associada à dor e tristeza. Na solitude, a pessoa opta por passar momentos sozinha e entende que isso lhe trará benefícios, sentimentos positivos, crescimento e autoconhecimento. A solidão é uma situação involuntária, em que a pessoa se sente sozinha e que não pertence a nenhum grupo. Quando essa situação persiste pode afetar a nossa saúde mental.
Não podemos prescindir por completo da companhia das pessoas. O sentido da vida está nas relações que vamos estabelecendo, mas, para que essas relações sejam saudáveis devemos incluir momentos a sós connosco na nossa rotina e não abdicarmos nunca de fazer coisas que nos deixam feliz, mesmo sem uma companhia para tal.
Aprender a estar sozinho é a chave para ser feliz e estabelecer relações mais saudáveis.