• Abril 4, 2025
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É dificil ser mulher

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Adoro ser mulher, mas às vezes é tão difícil! Há dias em que preferia ter nascido homem. São, na sua maioria, mais despreocupados e descontraídos na sua forma de viver a vida. A mulher tem sempre um lado mais emotivo e sensível que caminha lado a lado com a sua racionalidade. Pensamos demais, sentimos demais e isso cansa. Por vezes, somos as nossas próprias inimigas.

É como se tivéssemos um bloco de notas a flutuar sobre a nossa cabeça com todas as coisas que temos e que devemos fazer diariamente. Temos de treinar, temos de beber mais água, temos de preparar o almoço para levar para o trabalho, temos de terminar trabalhos pendentes, temos de alimentar o gato, o cão e o periquito, não nos podemos esquecer de ligar ao pai, à mãe e aos avós, temos de ir às compras, e por falar em compras, temos de comer mais verduras e frutas. E beber água? já disse que temos de beber mais água? Ufa!

Isto levou-me a questionar a razão pela qual trazemos connosco este sentimento diário de culpa. Queremos ser boas em tudo, mostrar que somos capazes, que somos fortes, que conseguimos dar conta do recado e sentimo-nos culpadas quando não conseguimos fazer uma das mil tarefas a que nos propusemos naquele dia. Enquanto mulheres parece que temos de estar sempre a provar o nosso valor. É exaustivo.

Ser mulher nunca foi fácil, as coisas melhoraram para nós ao longo dos tempos, e apesar de termos vindo a evoluir, ainda há muito caminho a percorrer e obstáculos e padrões que temos de quebrar. Vivemos numa sociedade machista e não, não estou a dizer que os homens são nossos inimigos, mas ser mulher é mais difícil e não há como contrariar isso. Isto não é feminismo, é só a realidade. Há coisas que só esperam ser feitas por mulheres e recusarem fazê-las é uma afronta à “ordem natural das coisas”.

Sofremos reprovações por tudo e mais um par de botas. Somos prepotentes porque nos impomos, somos chatas porque falamos demais, somos bipolares porque sofremos alterações hormonais, passamos demasiado tempo em casa porque ousamos ter filhos e consequentemente faltamos mais. Somos muito complicadas…

Podemos quase tudo, mas o quase que falta é muito grande. Já votamos, já ocupamos cargos de chefia, já estamos envolvidas em várias vertentes do desporto, mas, ainda há muita descriminação salarial e falta de oportunidades de progressão na carreira comparativamente aos homens. Num mundo ideal as oportunidades seriam iguais, sendo as nossas habilidades e conhecimentos valorizados por si só.

É difícil equilibrar a vida profissional com a pessoal devido a toda a expectativa de que a mulher consegue fazer tudo. Dividem-se entre ser mães (as que o são), mulheres, filhas e amigas de alguém, donas de casa e profissionais. Tentamos fazer tudo, todos os dias, sem nos permitirmos falhar ou errar e isso leva-nos ao limite. Vem novamente o sentimento de culpa e um peso invisível às costas. A juntar a isto ainda temos de cuidar de nós, o tal “autocuidado” que fica muitas vezes para último plano.

É difícil ser mulher durante a infância, a adolescência, na idade adulta, na escola, universidade, em casa ou no trabalho. É difícil ser mulher um pouco por toda a parte. O passado assombra-nos, mas nós não temos escolha a não ser continuar a lutar. Felizmente, a maioria de nós, não preferiria deixar de ser mulher só porque é tão difícil.

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