Odair Moniz, de 43 anos e morador no Bairro do Zambujal, na Amadora, foi baleado por um agente da PSP na madrugada de segunda-feira, no Bairro da Cova da Moura, no mesmo concelho, e morreu pouco depois, no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.
Segundo a PSP, o homem pôs-se “em fuga” de carro depois de ver uma viatura policial e “entrou em despiste” na Cova da Moura, onde, ao ser abordado pelos agentes, “terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca”.
A associação SOS Racismo e o movimento Vida Justa contestaram a versão policial e exigiram uma investigação “séria a isenta” para apurar “todas as responsabilidades”, considerando que está em causa “uma cultura de impunidade” nas polícias.
O papel da polícia numa sociedade democrática é de extrema importância. Eles são responsáveis pela manutenção da ordem, proteção dos cidadãos e garantia da justiça. No entanto, episódios de negligência policial têm manchado a reputação de várias corporações ao redor do mundo, incluindo no nosso país. Quando aqueles que deveriam garantir a segurança são os protagonistas de incidentes de imprudência ou inação, a confiança do público é profundamente abalada, e a sociedade paga o preço.
A negligência policial pode assumir várias formas. Desde falhas na investigação de crimes, passando pela lentidão em responder a chamadas de emergência, até abusos de poder ou omissões diante situações de perigo iminente.
A falha em investigar adequadamente um crime não só impede a justiça para as vítimas como coloca em risco a segurança pública. É difícil para a sociedade confiar numa instituição que repetidamente não cumpre as suas funções mais básicas.
Mas talvez o exemplo mais alarmante de negligência policial seja o abuso de poder e o uso excessivo de força. Casos de brutalidade policial, onde cidadãos são violentados ou mortos durante operações de rotina, demonstram uma falha grave na moral e ética da corporação.
A falta de responsabilidade e de consequências para os agentes envolvidos agrava ainda mais a situação. Quando os polícias negligentes não são devidamente punidos, a mensagem enviada é clara: a negligência e o abuso de poder são toleráveis dentro das corporações. Isso gera um ciclo de impunidade que afeta não só a confiança pública, mas também o desempenho dos agentes que trabalham corretamente.
Não podemos, claro, ignorar os desafios que os agentes enfrentam diariamente. Muitos trabalham sob condições adversas, com falta de recursos e apoio. No entanto, essas dificuldades não podem servir de desculpa para o fracasso em cumprir o dever. Uma polícia mal preparada, mal gerida ou despreparada para responder eficazmente às necessidades da sociedade é uma ameaça para a ordem pública.
É necessário garantir que os agentes estão devidamente treinados para lidar com situações complexas, desde questões de violência doméstica até operações criminais mais exigentes.
Não podemos tolerar que aqueles que juraram proteger a sociedade tratem o seu papel como um jogo, onde a irresponsabilidade prevalece e as consequências são desastrosas. A confiança na polícia é vital para uma sociedade justa, e cabe a todos nós exigir que ela cumpra o seu papel com integridade e competência.
Fonte do texto transcrito ao início: Notícias ao Minuto
Mariana Neto – Licenciada em Comunicação Social – Comunidade Lusa