Na história recente da animação cinematográfica, “A Paixão de Van Gogh” é, por certo, um das experiências mais originais. Trata-se de evocar os tempos finais da vida de Vincent van Gogh (1853-1890), não apenas através dos recursos típicos dos desenhos animados, mas numa espécie de desafio criativo face às telas do pintor. Ou seja: o filme resulta da combinação de muitas imagens (65 mil, segundo as informações da produção) que são outras tantas pinturas a óleo.

De acordo com declarações da realizadora polaca Dorota Kobiela, ela própria uma pintora, o desafio decorria da possibilidade de criar imagens que, de alguma maneira, integrassem o “estilo” do pintor, criando um objecto cinematográfico que evocasse directamente os seus quadros mais famosos — deparamos, por isso, com um mundo visual que parece ter nascido do “interior” dos próprios quadros de Van Gogh.

Para concretizar a sua ideia, Kobiela aliou-se a outro realizador, o britânico Hugh Welchman, resultando “A Paixão de Van Gogh” de uma co-produção entre Polónia e Reino Unido. A concepção das personagens integrou alguns traços dos próprios actores que lhes emprestam as suas vozes: Robert Gulaczyk interpreta o pintor, sendo duas das figuras mais lendárias dos seus quadros, Marguerite Gachet e Joseph Roulin, interpretadas, respectivamente, por Saoirse Ronan e Chris O’Dowd.

“A Paixão de Van Gogh” esteve na corrida para os principais prémios referentes ao ano de 2017, tendo sido nomeado para os Globos de Ouro e os Óscares na categoria de longa-metragem de animação. Nos prémios do Cinema Europeu, foi o vencedor dessa categoria.

Por Sic Notícias – João Lopes.

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