“Os objetivos são altos e temos de ser compactos e coesos. Se facilitarmos, vai ser muito difícil. Se formos uma equipa na verdadeira aceção da palavra, colocaremos dificuldade a muita gente, porque temos ambição e sabemos qual é o caminho a percorrer até à final. Para lá chegar e superar as dificuldades que vamos ter, tem de haver muito trabalho e foco total no espírito de equipa”, partilhou à agência Lusa o selecionador, de 60 anos.

Os Camarões, segunda nação mais titulada, com cinco cetros continentais (1984, 1988, 2000, 2002 e 2017), vão defrontar Burquina Faso, Etiópia e Cabo Verde no Grupo A da 33.ª edição da principal prova africana de seleções, adiada para 2022 devido à pandemia de covid-19.

“Na caminhada para o Mundial2022, Cabo Verde apertou muito a Nigéria e o Burquina Faso fez a vida negra à campeã africana Argélia. Adivinhamos uma ‘poule’ equilibrada e difícil. Temos de deixar o fato de gala e vestir o fato-macaco para conseguir os objetivos, porque os Camarões têm de valer pela equipa. Gostaria que não nos vissem a nível individual, porque os coletivos fortes são os que acabam por ter mais sucesso”, notou.

Os ‘leões indomáveis’ vão reencontrar Cabo Verde, um dos adversários no Grupo F de qualificação, que terminaram na liderança, com 11 pontos, afastando da fase final Ruanda e Moçambique, mesmo com o estatuto de anfitrião da CAN2021 garantido.

O conjunto de António Conceição vai disputar a primeira fase em Yaoundé, onde estão dois dos seis estádios da prova, cuja lotação estará normalmente limitada até 60% da capacidade máxima, à exceção dos jogos dos Camarões, que podem chegar aos 80%.

“Esta prova implica muita coisa em termos emocionais. Vamos jogar perante um público que exige e cria muita pressão em volta da seleção. Espero que os jogadores estejam ao mais alto nível para poder responder às nossas obrigações, que são enfrentar cada jogo para ganhar. Estou satisfeito com o grupo, mas não com a instabilidade causada pela covid-19, que já me impossibilitou de ter alguns atletas a participar nos treinos”, contou.

Ao longo de duas semanas de estágio, os ‘leões indomáveis’ registaram “cinco ou seis” casos de infeção, mesmo inseridos “num hotel que é quase um retiro”, legitimando a inquietação do técnico face à urgência de “ter de procurar soluções em cima dos jogos”.

“Este problema desvirtua um bocadinho a prova. Uma coisa é termos todos os atletas ao nosso dispor e utilizarmos aqueles que entendemos para cada jogo. Outra é estarmos limitados e condicionados nas escolhas. A preparação está a correr bem e os jogadores têm sido espetaculares nesse aspeto. Estão a treinar muito bem, com espírito e ambição, e esperamos que isto não afete muito o rendimento das equipas e toda a prova”, vincou.

Acautelando o risco de contágio durante o torneio, potenciado pela circulação da variante Ómicron, a Confederação Africana de Futebol (CAF) permitiu que cada seleção pudesse convocar até 28 jogadores, tendo António Conceição chamado 17 estreantes na CAN.

“Do núcleo duro que tem estado comigo desde o primeiro jogo [0-0 num particular com a Tunísia, em outubro em 2019], estarão 16/17 jogadores. Depois, fizemos a renovação de forma muito subtil e lenta, trazendo jogadores sub-23 e outros observados por nós em competição nos clubes. Se tiver todos ao dispor, não haverá problema. Vou ter sempre soluções que me satisfazem em qualquer posição e confio nos atletas que cá estão”, referiu.

As escolhas dos Camarões, que ocupam o 50.º lugar do ‘ranking’ da FIFA, revelaram-se “pacíficas” junto dos diversos clubes, sobressaindo as inclusões de figuras como André Onana (Ajax), Zambo Anguissa (Nápoles) ou Eric Choupo-Moting (Bayern Munique).

“Percebo a posição dos clubes, mas acho que tem de haver equilíbrio, porque é uma prova de grande prestígio, na qual os grandes clubes europeus às vezes contratam atletas. Sendo um torneio de gabarito e muito conceituado, tem de haver respeito pela verdade desportiva e vir aqueles que as seleções consideram ser os melhores, pois só assim é que a prova terá um nível de qualidade que todos gostem de ver”, defendeu.

A maioria vai desfalcar os seus clubes em plena época, sendo que, da geração campeã em 2017, ‘resistem’ Michael Ngadeu-Ngadjui (Gent), Ambroise Oyongo (Montpellier), Collins Fai (Standard Liège), Christian Bassogog (Shanghai Shenua), Karl Toko-Ekambi (Lyon), Clinton N’Jie (Dínamo de Moscovo) e o ex-portista Vincent Aboubakar (Al-Nassr).

#portugalpositivo

Por bomdia.

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