Portugal dá ‘workshop de magia’ e já é líder isolado da Liga das Nações

Acerto não foi o maior desde o início, mas a qualidade técnica seguiu em altas. Liderança do Grupo 2 está assegurada.

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Portugal bateu a República Checa nesta quinta-feira por 2-0. A equipa lusa voltou a praticar um futebol de qualidade e deixou de partilhar a liderança do Grupo 2 da Liga das Nações com os checos.

O marcador foi aberto por João Cancelo, com uma jogada individual de qualidade, aos 33 minutos. Aos 38, Gonçalo Guedes recebeu uma bola divinal de Bernardo Silva e ampliou a vantagem para os 2-0.

Com esta vitória, Portugal é líder do Grupo 2 com sete pontos, mais dois que a Espanha, que também venceu o seu jogo. A Rep. Checa é, agora, terceira colocada, com quatro pontos, menos um que os espanhóis. A Suíça continua no fundo da tabela sem qualquer ponto acumulado.

Filme do jogo

Portugal segue em crescendo. Ainda não está imparável, mas aproxima-se, dada a qualidade que tem colocado no jogo. Não foi a partida com mais acerto, mas foi uma das melhores a nível técnico. A magia esteve em altas em Alvalade, isso é certo.

O primeiro desenho tático da equipa portuguesa não se assemelhava ao usado frente á Suíça. Fernando Santos colocou Rúben Neves entre Pepe e Danilo Pereira, como se de um terceiro defesa central se tratasse. Pouco depois, esse esquema foi anulado, mas Rúben Neves continuou a jogar sempre atrás da minha do meio campo, isto para ajudar a linha defensiva em lances de contra-ataque da Rep. Checa.

Na frente, a grande dúvida era a disposição dos jogadores. Gonçalo Guedes estreou-se a titular e desdobrou-se várias vezes entre a lateral e o centro do terreno de jogo. Aquilo que parecia um 3-5-2 era, na verdade, o 4-3-3 habitual, mas com mais cuidados na retaguarda e maior liberdade na frente.

Do lado checo, a lição estava bem estudada. Três defesas centrais, mas não muito fixos na sua zona, tanto que Cristiano Ronaldo conseguiu desconcertá-los várias vezes em sete minutos de jogo. As jogadas de ataque foram, na sua maioria, bolas lançadas na profundidade ou aproveitamentos de erros do meio campo e da defesa portugueses.

A muralha branca com símbolo checo obrigou a uma alteração de ideias que descaracterizaram Portugal em relação ao último jogo. Cristiano Ronaldo não  esteve tão dentro da área como fez contra a Suíça e procurou ter bola em zona mais recuadas. Sem espaço para tentar um remate ou invadir a grande área, acabou por não ter grandes soluções. Ainda assim, a equipa portuguesa, munida de grande técnica, foi tentando jogar pelos lados e desposicionar o adversário, conseguindo-o por vezes.

O primeiro remate checo só chegou para lá do quarto de hora. Danilo tropeçou na hora errada e quase comprometeu. Valeu a (boa) agressividade de Pepe ao abordar o lance e o bom posicionamento de Rúben Neves para complicar a finalização aos checos. Na resposta, foi Pepe quem esteve perto do golo, não conseguindo tocar na bola ao segundo poste.

Quando a Rep. Checa tinha bola no meio campo português, a seleção nacional tremia e não se sentia à vontade sem bola. Num dos poucos lances em que não teve bola, verdade seja dita, Portugal teve Cristiano Ronaldo inconformado e em tarefas defensivas.

O forcing português era tanto, o acerto… nem por isso. Perto da meia hora de jogo, Gonçalo Guedes teve um momento de muito pouca inspiração. A um passe de Bernardo Silva para a entrada da pequena área, o avançado respondeu com… uma troca de pés. Momento de ansiedade para Portugal que muito tentava e pouco acertava. No outro lado, Diogo Costa ia ‘salvando’ Portugal. Apesar de ter tido relativo pouco trabalho, foi essencial para segurar a equipa das quinas no jogo durante a primeira parte.

Em momentos de desespero, o egoísmo vem ao de cima. Neste caso, para bem de Portugal. Cancelo recebeu a bola no lado direito do ataque e, só com olhos na baliza, correu desalmado para o golo. Foi o momento de maior alegria para os portugueses que, na bancada, estavam como a equipa: apreensivos. Cinco minutos depois, magia em Alvalade. Bernardo Silva recebeu a bola e, no meio da pressão checa, fez um passe divinal, servido em bandeja de prata, a Gonçalo Guedes. Desta vez, o avançado não falhou.

Portugal foi para o intervalo com uma vantagem meio confortável, a jogar um futebol ofensivo e a ganhar confiança com o passar do tempo. Apesar do desassossego na defesa e da pontaria ligeiramente torta, a exibição era de qualidade para os lusos que, nessa fase, já tinham assegurada a liderança isolada do Grupo 2 da Liga das Nações. A vitória da Espanha à Suíça, ao intervalo, fazia pouca comichão.

O descanso no balneário fez bem aos homens de fora que entraram com sinal mais na segunda parte. A pressão checa empurrou Portugal até à sua área e a desvantagem no marcador esteve perto de ser reduzida logo no segundo minuto. Valeu a ansiedade de Kutcha quando a bola chegou-lhe aos pés.

Portugal jogava com um desenho estranho. Para responder à defesa densa da Rep. Checa, Portugal alargou-se no terreno e deixou um grande buraco no meio campo. Nem William nem Bernardo Silva exploraram esse espaço que ficou dono dos checos durante a construção de jogo lusa. A equipa já pedia mexidas e Fernando Santos pensava e esperava mais para ver o que conseguia tirar a mais da equipa.

Só aos 67 minutos é que o selecionador mexeu. Bernardo Silva, bastante ovacionado, e William Carvalho, dois dos melhores em campo, acabaram por sair pelo desgaste, dando lugar a Bruno Fernandes e ao estreante Vitinha. Foi uma fase de confusão no jogo ofensivo, com a seleção portuguesa já em ‘modo poupança’. Das bancadas gritava-se por mais um golo, mas não dava.

Ainda entraram Rafael Leão, João Palhinha e João Moutinho, mas o resultado estava decidido. Nova vitória no jogo 100 de Fernando Santos ao comando de Portugal. A seleção das quinas é agora líder isolada num grupo que tem sido de surpresas. A próxima partida será frente à Suíça. Para já, Portugal descansa no topo do Grupo 2. 

Momento do jogo: Golo de João Cancelo. Desbloqueou o marcador e mostrou à equipa o caminho para a baliza da Rep. Checa. Numa fase de pouco acerto, chegou como uma lufada de ar fresco para Portugal.

Equipas iniciais:

Portugal: Diogo Costa; João Cancelo, Pepe, Danilo Pereira e Raphael Guerreiro; Bernardo Silva, William Carvalho e Rúben Neves; Gonçalo Guedes, Cristiano Ronaldo e Diogo Jota.

Suplentes: Rui Patrício, Rui Silva, Diogo Dalot, David Carmo; João Palhinha, João Moutinho, André Silva, Bruno Fernandes, Rafael Leão, Otávio, Nuno Mendes e Vitinha

Rep. Checa: Stanek; Zima, Brabec e Mateju; Coufal, Soucek, Sadilek e Havel; Lingr, Kuchta e Hlozek.

Suplentes: Vaclík, Mandous, Jemelka, Kúdela, Kalvach, Pesek, Jurecka, Tecl, Cerny, Zeleny, Vlkanova e Král.

Antevisão

Portugal vai defrontar na tarde desta quinta-feira a República Checa. A seleção nacional tem vindo a melhorar na prova, ainda que tenha apenas dois jogos disputados até ao momento, mas tem já a hipótese de se destacar no primeiro lugar do Grupo 2 da Liga das Nações.

Enquanto Portugal vem para este jogo depois de uma vitória confortável frente à Suíça, a Rep. Checa teve um ligeiro tropeço frente à Espanha, não indo além de um empate a dois golos. Essa segunda jornada da fase de grupos colocou as duas equipas no topo e em igualdade pontual, um cenário que é perigoso para os comandados de Fernando Santos que, em caso de derrota e de uma vitória da Espanha, poderá descer ao terceiro lugar e ficar em perigo.

Para esta partida, o selecionador nacional terá Vitinha à disposição para o meio campo, não contando, desta vez, com Domingos Duarte, Matheus Nunes e Ricardo Horta. No onze inicial, as caras que estiveram em maior destaque deverão manter-se, sendo esperado o regresso de outros que ficaram de fora frente à Suíça.

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