José Carlos Seabra Pereira, em texto publicado no portal do SNPC, escreve que, “como evidenciam várias das suas mais significativas criações e algumas imperecíveis experiências de irradiação espiritual na receção da sua obra – veja-se, por exemplo, o grande painel na parede por trás do altar da Capela do Rato (…) -, o louvor do dom da vida na própria atualização da autonomia dos valores estéticos passa, na obra de Lourdes de Castro, por uma poética da espiritualidade cristã”.

Segundo Seabra Pereira, a morte de Lourdes Castro aconteceu “após longa e representativa carreira como artista plástica que, com ancoragem na década de 60, alcança progressiva notoriedade em Portugal e no estrangeiro, até ser reconhecida como figura cimeira pelos seus pares e pelos melhores estudiosos e críticos das artes visuais”.

“A perspetiva cristã da cultura, assumida pela Igreja católica e protagonizada, no âmbito de intervenção da Conferência Episcopal Portuguesa, pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, fez jus a essa superior representatividade ao atribuir-lhe em 2015 o Prémio Árvore da Vida — Padre Manuel Antunes”, acrescenta o presidente do SNPC.

José Carlos Seabra Pereira recorda que “o experimentalismo e o caráter inédito da sua obra, com singular aura poética, surgem dominados pelo desígnio e pela capacidade de nomear plasticamente o objeto e de, ao mesmo tempo, aprofundar a rutura com a noção tradicional de ‘escultura’. Nessa perspetiva, Lourdes Castro interferiu decisivamente na problematização plástica enquanto discurso transdisciplinar: do desenho à pintura, do virtual ao empírico”.

A artista plástica Lourdes Castro, uma das fundadoras do grupo artístico e da revista KWY, em França, morreu no sábado, no Funchal, aos 91 anos, disse à agência Lusa fonte próxima da família.

A artista madeirense foi galardoada com a Medalha de Mérito da Cultura em 2020 pelo “contributo incontestável” para a cultura portuguesa.

Nascida em 1930 no Funchal, ilha da Madeira, Lourdes Castro estudou pintura na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa, e viveu na Alemanha e em França.

As cerimónias fúnebres decorrem na segunda-feira, no cemitério de São Martinho, no Funchal, disse fonte familiar, acrescentando que “a cerimónia vai decorrer sem protocolo” em termos de receção de entidades e “sem os habituais cumprimentos à família, devido às medidas implementadas na sequência da pandemia da covid-19”.

Por Notícias ao minuto.

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