Novo Banco: não, não, não… pagamos

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É que não pagamos. E não, este não é um texto humorístico. Os “novos” “milhões” a meter de novo no Novo Banco não são pagos pelos contribuintes. “Não há dinheiro para os novos apoios sociais, mas há para o Novo Banco!!!” Só que há um problema: a realidade. Quem paga o Novo Banco são os bancos – os lucros do Millennium BCP, BPI, Santander e todos os outros, através do Fundo de Resolução. Ok, numa pequena parte a Caixa Geral de Depósitos (porque temos um banco público e perderemos alguns lucros da Caixa). Alguma vez isto será dito aos portugueses de forma séria?

Vou recomeçar: a economia portuguesa terá perdido mais de 14% do PIB (25 mil milhões), em sete anos, com a queda do BES, segundo o livro de José Poças Esteves e Avelino Jesus (“O Caso BES). Esta é que é a perda colossal e irreversível. De uma marca, de uma carteira de clientes, de confiança no sistema, de créditos mal geridos, de ativos vendidos à pressa para evitar perdas maiores.

Por mais voltas que se dê, a tragédia é quase na íntegra da responsabilidade de Ricardo Salgado e do seu desespero/desfaçatez, deitando a mão a todo o dinheiro que conseguia para evitar o abismo.

Na fase seguinte da queda do BES esteve a leviandade (vingança contra o socratismo?) com que Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque analisaram o problema como sendo uma questão de “mercado”, e não sistémica – para a banca e para toda a economia portuguesa, mesmo depois de Ricardo Salgado já ter sido afastado.

Em paralelo, temos as colossais falhas no Departamento de “Super-visão” do Banco de Portugal, os mais escandalosos dos quais os gigantescos desvios para Angola. Foram mais de três mil milhões, como noticiou o Expresso muitos meses antes do colapso.

Quando surgiu, o Novo Banco era um Frankenstein. Vendê-lo como príncipe da Disney? A Lone Star apareceu para tomar conta da ocorrência, mas só casaria sem risco. E o Governo Costa aceitou. Porquê? Porque mais ninguém ousou. E nacionalizar talvez saísse mais caro – seria o Estado a salvar um banco com dinheiro público, distorcendo a concorrência.

A Lone Star continua a queixar-se do enxoval e vai vendendo os anéis. Vende barato, diz-se. Os que pagam a conta – os bancos concorrentes – não se têm queixado publicamente (apesar de serem os principais prejudicados de “má gestão”). Entretanto, o Governo é acossado pelo ruído e não quer dar mais garantias do que as contratualizadas. Está no seu direito. Mas as tranches combinadas, tem de cumprir, por mais que a oposição continue a fazer soar falsamente que o Governo está a “dar” dinheiro ao Novo Banco.

Não nos esqueçamos: 4 de Agosto de 2014. Pela manhã ficou a saber-se, por exemplo, que nas contas do Banco de Portugal (e do Ministério das Finanças, supõe-se…) a mega-dívida do BES Angola – superior a três mil milhões de euros e garantida pelo Banco de Angola/José Eduardo dos Santos -, era lixo. Não era para pagar. Porquê? Não há resposta até hoje. E este é um dos muitos exemplos que explicam porque o BES/Novo Banco não valia nada – e porque a venda foi tão má.

Em resumo: o Estado assegura os empréstimos ao Novo Banco e eles entram no défice de cada ano. Mas até ao final de 2019, o Fundo de Resolução já pagou 530 milhões de euros de juros pelos empréstimos garantidos pelo Estado ao BES e BANIF. Se quiséssemos entrar neste jogo de demagogia poderíamos mesmo dizer que os apoios sociais “inconstitucionais,” de 500 milhões, serão pagos… pela banca. Já imaginaram o título “Lucros com o BES pagam subsídios da pandemia?”…

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