Mais vacinas, menos fast news

No mundo das notícias rápidas, tingidas a vermelho e com carimbos de última hora, os factos extraordinários acontecem ordinariamente todos os dias.

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Pedro Morgado

A transformação digital do jornalismo favoreceu um sensacionalismo, que utiliza todos os recursos para captar a atenção dos leitores e ligar os consumidores de notícias aos serviços que as produzem ou distribuem. Na verdade, já nos sentimos estranhos quando nada acontece e não é raro carregarmos no botão de atualizar para ver se caiu um novo desenvolvimento no não-acontecimento que estávamos a seguir.

A geração de notícias, mesmo na ausência de factos relevantes, está a revelar-se um problema ao distorcer a perceção dos riscos associados à vacinação. Vamos então aos factos que importam.

Apesar das notícias recentes, a verdade é que as vacinas contra a covid-19 são seguras e eficazes. O risco de formação de coágulos sanguíneos existe, mas é extraordinariamente baixo quando comparado com outros fatores do nosso quotidiano.

Senão vejamos: 1 em cada 2000 mulheres que tomam contracetivos orais desenvolve coágulos; 1 em cada 1000 pessoas que viajam de avião também; pelo menos 1 em cada 100 doentes covid-19 também. No caso da vacina, o risco é de 1 em cada 250 000 pessoas vacinadas.

Olhando para estes números, depressa percebemos que o alarmismo é injustificado.

A vacinação é a melhor forma de salvar vidas, proteger a economia e conter a pandemia. Em matéria de vacinas, o consumo de fast news é nocivo para a tomada de boas decisões.

Protejam-se.

*Psiquiatra e professor da Univ. do Minho

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