Falta cumprir uma liberdade

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O país voltou a festejar a liberdade no domingo. Contudo, há pelo menos uma importante liberdade ainda não conquistada em abril de 2021: a de movimentos. A Avenida da Liberdade, em Lisboa, encheu-se de portugueses e portuguesas para assinalar o dia da revolução dos cravos. Pessoas a mais para distâncias a menos. Apesar da favorável evolução do número de infetados e de mortes por covid-19, o estado de emergência foi decretado até dia 30 deste mês, a pandemia ainda não desapareceu e os portugueses não atingiram a imunidade de grupo. É bom termos isto sempre presente nas nossas vidas, de cada vez que aspiramos à liberdade total e à aproximação social e física.

Ainda não sabemos se será necessário voltar a puxar o “travão de mão” (expressão usada pelo primeiro-ministro) mais alguma vez, mas sabemos que as manifestações e os desfiles com milhares de pessoas juntas e abraçadas não darão bom resultado e nem são um bom exemplo – inclusive para as crianças que os pais orgulhosamente levaram para desfilar na Avenida – em pleno estado de emergência.

A liberdade não é uma justificação para tudo, nunca foi. A liberdade não pode ser usada para fingir que não foi decretado o estado de emergência pelo Presidente da República. A liberdade deve, isso sim, fazer-nos recordar que a imunidade coletiva não está alcançada. Talvez 70% da população lá chegue no início do verão, acredita o governo. Mas já foram tantas as peripécias relacionadas com as vacinas (ainda ontem a UE acionou um processo contra a AstraZeneca por não entregar 300 milhões de vacinas até junho) que o melhor é aguardar, manter a prudência e não correr o risco de morrer na praia.

À hora em que escrevia exatamente esta linha de texto nesta página, o primeiro-ministro António Costa admitia, numa deslocação a Valença, que estamos no “bom caminho” para a terceira fase de desconfinamento, mas deixava um alerta: relaxar “pode tornar tudo pior”. Nem sempre estamos de acordo, mas desta vez o chefe do executivo tem razão. As festas ilegais por todo o país, as esplanadas repletas de pessoas sem máscara e outros comportamentos perigosos não devem deixar-nos dormir descansados.

Hoje há nova reunião do Infarmed. No último dia 19 nem todos os concelhos avançaram para as mesmas regras de desconfinamento da segunda fase e outros até retrocederam. Com uma nova ambição à porta, já para segunda-feira, nunca é de mais lembrar que depende de cada um de nós vencer mais esta corrida de obstáculos. De pouco serve embandeirar em arco e desenhar planos milagrosos se não agirmos todos em conformidade.

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