Crimes sem castigo

Era oficial: Portugal estava na bancarrota. Não havia dinheiro para pagar os salários de enfermeiros, médicos, professores, juízes, investigadores e demais carreiras de funcionários públicos.

19
0
Lídia Pereira

Esta semana os portugueses relembraram o momento que viria a marcar duramente a sua memória e para a qual a luz ao fundo do túnel tardou a chegar. Há dez anos, José Sócrates, ladeado por Teixeira dos Santos, anunciava ao país o pedido de ajuda externa.

Depois de anos de aumento da dívida pública, de má gestão da coisa pública (a República), de sucessivamente fazer do futuro o caixote de lixo do presente – chegava assim o momento de enfrentar as consequências e pedir ajuda externa e resgatar o país do buraco financeiro em que se encontrava. Foi a terceira vez em 30 anos que Portugal pediu ajuda. Será que ainda não chega?

Recordo-me bem dos sucessivos PEC, dos cortes salariais, do desemprego. Também da chegada da troika, dos cortes nos rendimentos e das dificuldades desse momento. À época, estava na faculdade, onde o assunto era, tal como em casa, de discussão diária. Em família, as queixas e a desilusão eram diárias. O sentimento era de raiva e injustiça pela perda de rendimentos daqueles que não haviam contribuído para a escalada galopante da dívida.

Com a grave crise económica em que o país tinha mergulhado, iniciou-se um novo ciclo político com um novo Governo, liderado por Pedro Passos Coelho. A tarefa de aplicar o memorando da troika – assinado pelo então primeiro-ministro José Sócrates – revelou-se difícil e ingrata. Governar em crise, sem dinheiro, com uma agenda que não era sua, mas com a qual Portugal se havia comprometido para pagar o apoio pedido a fim de evitar a bancarrota.

Gerir a insatisfação e o descontentamento das famílias e das empresas, a quem se pedia sempre mais e mais, e simultaneamente restaurar a credibilidade internacional do país. Seguramente o aumento de impostos que ocorreu não está no ADN do PSD, mas ao programa do PSD sobrepôs-se uma necessidade: a de cumprir com a palavra de Portugal e pagar o empréstimo pedido por José Sócrates e Teixeira dos Santos.

Passos Coelho enfrentou a dificuldade de ultrapassar a mais difícil crise da nossa democracia, com mais decisões certas que erradas e que colocou Portugal numa rota de crescimento e emprego. Uma trajetória de crescimento que o PS se encarregou de subverter assim que tomou conta do poder.

Um homem para quem as futuras gerações eram importantes e que avaliava os efeitos das suas decisões no futuro. Um primeiro-ministro que aplicou no Governo os mesmos valores com que vive: seriedade, integridade e retidão.

Lídia Pereira

*Eurodeputada do PSD

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

*

code