Covid-19: “Nova era” global deve evidenciar importância das políticas de saúde

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O ex-ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, defendeu hoje que o mundo está a viver “uma nova era” devido à pandemia de covid-19, manifestando esperança num “novo entendimento” global sobre a importância das políticas de saúde.

“Estamos agora enfrentando uma nova era. Os Estados-membros da União Europeia (UE), os Estados Unidos, o Reino Unido e a China aperceberam-se de que uma doença viral pode parar a economia, pode por todos os aviões no chão”, afirmou o ex-governante numa conferência virtual sobre o tema da União Europeia da Saúde.

No debate coorganizado pela representação da Comissão Europeia em Portugal e pela Nova Economics Club, em parceria com a Nova Student’s Union, Adalberto Campos Fernandes salientou que, devido à pandemia, “pela primeira vez a saúde precedeu a economia” a nível mundial.

“Este será, possivelmente, o mais importante incentivo para uma política global com mais ambição e um novo entendimento do papel das políticas de saúde em todo o mundo”, adiantou Adalberto Campos Fernandes, para quem, após a covid-19, “nada será como era antes” tendo em conta o impacto da pandemia na vida social e económica.

O ex-ministro sublinhou ainda a relevância que a ciência assumiu durante a pandemia e manifestou-se convicto que será possível nos próximos anos dar os primeiros passos para a constituição de uma União Europeia da Saúde direcionada para as doenças emergentes e pandemias.

Para o deputado do PSD, Ricardo Batista Leite, a covid-19 veio desafiar a ideia de que os Estados-membros da UE mais fortes “têm mais a ganhar ao preservar a sua capacidade de decisão na saúde como um poder soberano”.

“Creio que [a pandemia] é uma oportunidade muito especial e única para podermos iniciar uma caminhada passo a passo para a União Europeia da Saúde”, considerou o médico, ao apontar a prevenção e reposta a futuras pandemias, a investigação e desenvolvimento e as doenças raras como áreas em que essa união pode ser concretizada.

“Finalmente temos essa oportunidade. Haja da parte das lideranças a capacidade para a concretizar”, disse Ricardo Batista Leite, defendendo também um “papel proativo” da sociedade, através dos cidadãos e das associações de doentes, na definição desta política comunitária, “não ficando à espera que seja Bruxelas a ditar tudo de cima para baixo”.

Para o bastonário da Ordem dos Médicos, o passo inicial para a constituição de uma União Europeia da Saúde implica um reforço do investimento de cada Estado-membro neste setor.

“Se queremos uma União Europeia da Saúde, temos de começar a investir nos sistemas nacionais da saúde. Temos um nível de investimento fortemente diferente de país para país em termos de saúde”, alertou Miguel Guimarães.

De acordo com o bastonário, este processo passa também por garantir que a União Europeia tem uma liderança forte em termos de saúde, apontando o exemplo da vacinação contra a covid-19.

“Se pensarmos no que aconteceu com a vacinação, vemos que tivemos o melhor e o pior”, disse Miguel Guimarães, realçando a colaboração dos países na compra das vacinas como positiva.

Pelo contrário, a suspensão temporária da administração da vacina da AstraZeneca constitui “um exemplo para o futuro”, tendo em conta que vários países decidiram por si próprios, apesar das recomendações da Agência Europeia do Medicamento (EMA na sigla em inglês) e da Comissão Europeia, disse.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.853.908 mortos no mundo, resultantes de mais de 131,2 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.885 pessoas dos 823.494 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

PC // JMR

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