A próxima pandemia

Já sei no que está a pensar: ainda não nos vimos livres desta pandemia e já estão a assustar-nos com a próxima. O problema é que há razões de sobra para que fiquemos assustados com a possibilidade de os efeitos das vagas de calor, da seca e da falta de água nos forçarem a mudar de vida todos os anos.

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Os picos históricos de temperatura que vimos, por estes dias, assolar os Estados Unidos da América e o Canadá serão cada vez menos uma excentricidade das alterações climáticas para se transformarem numa normalidade. Um artigo recente da revista “Lancet” concluía que as ondas de calor tinham matado, em 2018, 300 mil pessoas acima dos 65 anos apenas na Índia e na China, no que constituía um aumento de 54% desde o ano 2000. Estas mortes são silenciosas, e engrossam as estatísticas apenas uns anos depois, mas são o reflexo de como a pressão do Homem sobre o planeta está a tornar estes fenómenos mais comuns e mais extremos.

A Europa é o melhor aluno no combate à redução dos gases com efeito de estufa, mas mesmo que China, Rússia e Estados Unidos decidissem rever as suas políticas de emissões para níveis históricos não evitaríamos que os próximos anos fossem de aquecimento global.

Parece ficção científica, mas não é. Entre 1998 e 2017, a seca afetou 1,5 mil milhões de pessoas. Há dias, as Nações Unidas alertavam que, nos próximos anos, uma parte considerável do Mundo “vai viver em situação de escassez de água”, o que causará crises alimentares, inflação dos bens, redução do fornecimento energético e, inclusivamente, agitação civil, conflitos e migração. O que é que isto tem que ver connosco? Tudo: a seca tem-se intensificado sobretudo no Sul da Europa.

Em suma: dependemos dos governos para gerir de forma harmoniosa os solos e a água, mas dependeremos sempre das nossas atitudes individuais e das nossas escolhas para fazer a diferença. Esta pandemia não veio sem aviso. Está a acontecer todos os dias à frente dos nossos olhos. E não há vacina que nos valha.

// Pedro Ivo Carvalho

Diretor-adjunto

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