Papa e Obama de acordo em quase tudo

O Papa Francisco visitou a Casa Branca para a cerimónia oficial de boas-vindas aos Estados Unidos da América, um dia depois de ter chegado ao país, vindo de Cuba, e pediu a defesa dos “direitos inerentes à liberdade religiosa”.

“Esta liberdade permanece como uma das conquistas mais valiosas da América”, disse, perante o presidente norte-americano, falando em inglês.

O pontífice argentino foi recebido junto ao portão sul da residência oficial do presidente por Barack Obama e a sua mulher Michelle, que o acompanharam até ao ‘South Lawn’, onde os esperam cerca de 11 mil convidados, incluindo os cardeais e bispos católicos dos EUA.

Francisco apresentou-se simbolicamente como “filho duma família de emigrantes” e saudou uma nação “construída em grande parte por famílias semelhantes”.

Nesse contexto, apelou à “construção duma sociedade que seja verdadeiramente tolerante e inclusiva”, na defesa dos direitos dos indivíduos e das comunidades, e na “rejeição de qualquer forma de discriminação injusta”.

O Papa elogiou as iniciativas de Obama em favor da redução da poluição ambiental, face à “urgência” da atual mudança climática, que “já não pode ser um problema deixado à geração futura”.

“A nossa casa comum foi parte deste grupo de excluídos que brada ao céu e que hoje bate com força às portas de nossas casas, cidades, sociedade”, alertou.

A intervenção citou Martin Luther King, assumindo que a humanidade esteve “em falta quanto a alguns compromissos e, agora, chegou o momento de os honrar”.

Francisco aludiu indiretamente ao ‘degelo’ das relações com Cuba ao elogiar os esforços para “reconciliar relações que tinham sido rompidas e para a abertura de novas vias de cooperação”.

“Almejo que todos os homens e mulheres de boa vontade desta grande e próspera nação apoiem os esforços da comunidade internacional para proteger os mais vulneráveis no nosso mundo e promover modelos integrais e inclusivos de desenvolvimento”, acrescentou.

O primeiro discurso em solo norte-americano recordou alguns pontos do programa nos próximos dias, como a intervenção no Congresso (quinta-feira).

“Como irmão deste país, espero dizer uma palavra de encorajamento a todos aqueles que são chamados a guiar o futuro político da nação na fidelidade aos seus princípios fundadores”, adiantou.

“Irei também a Filadélfia, para o 8.º Encontro Mundial das Famílias, cuja finalidade é celebrar e apoiar as instituições do matrimónio e da família, num momento crítico da história da nossa civilização”, acrescentou.

O discurso concluiu-se com o tradicional ‘God bless America’ (Deus abençoe a América).

Obama e o Papa seguem depois para a Sala Azul, onde decorre a apresentação das comitivas e a assinatura do Livro de Ouro.

No final da cerimónia de boas-vindas, informa o Vaticano, tem lugar uma visita de cortesia de Francisco ao presidente norte-americano, na Sala Oval, para uma conversa privada, a troca de presentes e a apresentação de familiares.

Ao mesmo tempo, no ‘Cabinet Room’, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, acompanhado pelos seus números 2 e 3, D. Angelo Becciu e D. Richard Gallagher, e o núncio apostólico nos EUA encontram-se com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

O papamóvel vai depois passar pelo meio da multidão, através da Elipse e do National Mall, em Washington.

A segurança foi reforçada ao longo da área e as portas foram abertas às 4 da manhã (09h00 em Lisboa), fechando seis horas depois.

Esta quinta-feira, o Papa torna-se o primeiro pontífice a discursar diante das duas câmaras do Congresso norte-americano.

Já em Nova Iorque, Francisco vai ser o quarto Papa a discursar na sede da ONU, depois de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI.

Fonte: Bomdia




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