Mãe de santo austríaca populariza umbanda e candomblé na Suíça

A Austríaca Astrid Habiba Kreszmeier, conhecida como Iya Habiba, é mãe de santo na Suíça desde 2006. Com olhos azuis, ela é pioneira e se destaca na religião de raízes africanas por ser branca, europeia e por difundir na Europa de língua alemã uma prática levada para o Brasil pelos escravos.
Iya Habiba é mentora espiritual do Terra Sagrada, nome do terreiro cuidado por ela. Com formação em psicoterapia, a mãe de santo acredita que o candomblé e a umbanda podem funcionar como aliados no tratamento de várias mazelas: a conexão com a natureza e o foco no corpo como instrumentos de meditação ajudam a quebrar as amarras da atual inflexível sociedade.
Os terreiros do Terra Sagrada estão presentes em Graz, Viena, Berlim, Berna, Zurique e St. Gallen. Iya Habiba coordena os seis espaços, onde lidera giras, orienta rituais, forma outros líderes e participa de curas espirituais, além de outras atividades ligadas ao candomblé e à umbanda. Os números de participantes surpreendem: o Terra Sagrada conta 77 médiuns e um público de 800 praticantes; na Suíça são 37 médiuns e um público de 500 pessoas. O terreiro une a prática da tradição do mundo dos Orixás, do Candomblé, da Umbanda, da Santeria e a tradição de curas naturais provenientes das culturas Iorubá e Banto, além da psicoterapia, sociologia das religiões e filosofia.
swissinfo.ch: Por ser austríaca, criada na Europa, como você se tornou Mãe de santo de Candomblé?
Iya Habiba: Eu nunca procurei essa religião, porque nem sabia que existia. Como psicoterapeuta focada na cura por meio do corpo e da natureza, encontrei a umbanda e o candomblé. Eu sempre foquei meu trabalho em caminhos alternativos, em perspectivas filosóficas não racionalistas. Dessa maneira, fui parar em um congresso de Tradições Indígenas, em 1992, no Marrocos. Lá eu tive um encontro mágico e inspirador com um Pai de Santo brasileiro, o Pai Buby, que proferiu uma palestra sobre a religião.
Posteriormente participei de um workshop, onde a mensagem pode ser aprofundada. Nesse momento eu senti o chamado. Nesse mesmo dia, Pai Buby escreveu seu contato em um pedacinho de papel, com um convite para eu ir até Bulle, aqui na Suíça. Esse Pai de santo já supervisionava um grupo em Genebra, o primeiro terreiro do país. Fui então convidada para me iniciar na religião. Comecei a me inteirar e a estudar. Ele veio a ser, então, o meu mestre.
Minha iniciação demorou 12 anos. Durante esse período, eu fui ao Brasil várias vezes, cheguei a fazer até três viagens por ano. As idas a São Paulo, mais precisamente perto de Embu das Artes, onde fica o Terreiro, incluíam receber ensinamentos sobre os rituais, costumes e o fortalecimento da tradição espiritual. Aprendi como se dá a incorporação de entidades espirituais, como acender uma vela, por exemplo.
swissinfo.ch: Por que trouxe a religião para a Suíça?
I.H.: Porque os Orixás quiseram assim. Quando comecei, eu vivia ainda na Áustria. Por motivos pessoais, me casei com um suíço, me mudei para o país. Aqui tivemos a oportunidade de adquirir uma casa perfeita para as práticas religiosas. Em Appenzellerland, no vilarejo de Stein, conseguimos esse espaço, onde, em 2006, fundamos o primeiro terreiro no país. O terreno é isolado, conta com um rio com nascente, um amplo espaço verde, onde podemos trabalhar bem à vontade. A natureza propicia ainda uma melhor conexão com o divino. Ali montamos altares sagrados para fazermos os rituais.

Fonte:swissinfo




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