CRÓNICA/INCÊNDIOS | O CAVALO SELVAGEM DE MAÇÃO, UM DOS BRAVOS QUE RESISTE

Naquele pedaço de terra, outrora viva e verdejante, surge por entre as cinzas, a galope, como se emergisse de um outro tempo, o Cavalo Selvagem. Ao que se sabe, nunca lhe foi dado um nome, embora já tenha pertencido a alguém.
Há anos que ali permanece, em Fadagosa e Vale do Grou, Mação, entregue a si próprio, percorrendo os montes e os vales. Tem resistido aos desafios da Natureza, porque dela faz parte. Dizem que é um cavalo selvagem porque ninguém lhe conseguiu deitar a mão. Mas, acima de tudo, é um cavalo que conquistou a sua liberdade.

Quem por ali passa habituou-se a ver o verde da natureza e o cavalo. Tudo na mesma paisagem. Mas a imagem agora é outra. A palete deixou de ter cores exuberantes e a paisagem ficou cinzenta. As árvores perderam a vida. Tudo parece ter mudado de tempo.

Sente-se no ar a desolação, a impotência, a dor. Por momentos os braços caem e a esperança esvai-se. E quando tudo parece perdido eis que ele surge mais forte que nunca, num galope vibrante. Enfrentou o fogo que o fez estremecer, sem o conseguir derrubar. Por baixo dos cascos a terra é um manto de cinzas e já não lhe serve de pasto. Mas ele resistiu!

O fogo quase que transformou toda aquela paisagem. Mas não conseguiu porque dela ainda faz parte o Cavalo Selvagem.

As gentes de Mação entenderam a mensagem deste animal, que agora recebe feno e água de quem o vai visitar: não há fogo que destrua a força de viver.

E se ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e construir um novo fim.

Fonte:MEDIOTEJO




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