Anel Energético Asiático pode ajudar a resolver questões geopolíticas

“Estabelecer pontes”, este é o lema do Fórum Econômico do Oriente, que está sendo realizado hoje (2) em Vladivostok e discutido na conferência “Cooperação energética no Círculo do Pacífico”.

Atualmente, percebe-se um interesse crescente do Círculo do Pacífico na oferta de energia, pois os países estão diversificando mais e mais seus recursos energéticos e fornecimento de energia. A Sibéria e o Extremo Oriente russo são os donos dos maiores depósitos de gás e petróleo do mundo. Tal liderança pode trazer benefícios com a realização de projetos conjuntos na área de energia.

Entre esses projetos, o Anel Energético Asiático se destaca. A meta principal deste projeto é unir os sistemas energéticos da Rússia, Japão, Coreia do Sul, China e Mongólia.

A ponte que unirá os países destacados foi tema de negociações ainda em 2000. Até então o projeto não foi posto em prática. Na época, o Japão não estava pronto para receber energia elétrica, não só por não ter experiência na cooperação energética com estrangeiros, mas também por causa da falta de estímulo econômico. A situação mudou depois da tragédia na usina nuclear de Fukushima, que causou a interrupção do trabalho de quase todos os reatores nucleares do país. O desastre intensificou a submissão japonesa ao fornecimento de energia por outros países, afirmou em conferência de imprensa, o ex-diretor executivo da agência Internacional de energia Tanaka Nobuo:

“… Sem a energia nuclear, nos tornamos muito dependentes de abastecimento de combustível, principalmente, de países do Oriente Médio. A instabilidade na região põe em risco a estabilidade da cadeia de abastecimento no Japão. É um risco muito grande. Por isso, estamos diversificando não somente as fontes de energia, nuclear e recursos renováveis como petróleo, gás e carvão, que levamos em consideração a eficiência deles, mas também os países fornecedores”.

Tanaka Nobuo acrescenta que, se for escolhido o gás entre as outras fontes de energia, há uma chance do Japão se afastar do Oriente Médio, aumentando as relações econômicas com América do Norte, Austrália, países da ASEAN e Rússia. Este último, podendo se tornar o fornecedor mais importante.

Conforme Tanaka, além de facilitar relações econômicas com outros países, o projeto pode promover diálogo na resolução de questões geopolíticas.

Anton Inyutsyn, vice-ministro da Energia russo, em entrevista exclusiva à Sputnik Japão, disse que “se há interesse e benefícios para os países envolvidos, o projeto pode ser posto em prática”.

O novo Conselho de ministros japoneses vem semeando terreno russo para o crescimento do investimento japonês com novos projetos e intensificando os já existentes no território do Extremo Oriente russo. Por seu lado, o Extremo Oriente pode oferecer às empresas japonesas condições muito atraentes de investimento. Energia, transporte, agricultura, tratamento de madeira são as áreas em destaque para cooperação russo-japonesa no Extremo Oriente. No futuro, a ponte de energia entre Rússia e Japão, como parte do Anel Energético Asiático, pode se tornar o caminho para o desenvolvimento da cooperação entre os países.




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