Agentes pastorais das comunidades de língua portuguesa reuniram-se em Brescia

O Encontro Europeu dos Agentes Pastorais das Comunidades de Língua Portuguesa realizou-se de 19 a 23 de Outubro de 2015, em Brescia (Itália), sob a presidência de D. António Vitalino, bispo e Beja e da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana. Marcaram igualmente presença 5 diretores nacionais e delegados: Dr. Stefan Schohe, da Alemanha; Dr. Samuel M. Behloul, da Suíça; Marie-Anne Hameury, da França; Eugénia Costa Quaresma, de Portugal; P. Mário Toffari, da Itália.

Os 55 participantes, sacerdotes, diáconos, religiosas e leigos portugueses e de outras nacionalidades – reflexo visível da diversidade de carismas e culturas que marcam o corpo dos agentes pastorais, coordenados pela OCPM – enriquecem a Igreja com as suas vivências eclesiais diferentes. Atualmente são acompanhadas, de forma organizada, as comunidades: portuguesa, brasileira, cabo-verdiana, guineense, angolana, moçambicana, são-tomense, entre outras.

O Encontro teve como tema: “O papel das Missões na catequese e na participação dos migrantes face às atuais tendências das dioceses de acolhimento”.

Conhecer as tendências atuais das igrejas (na Suíça, Alemanha, Luxemburgo, Bélgica, França, Reino Unido e Portugal) em relação à presença das comunidades lusófonas e partilhar experiências concretas, a nível da evangelização das crianças, jovens e adultos migrantes foram os dois eixos de trabalho deste congresso.

Constatações:

Desde o início dos anos sessenta, altura da fundação da presença da Missão Católica nas dioceses europeias, a catequese foi uma preocupação pastoral prioritária, sendo ação pioneira em algumas delas. Tem sido realizado um trabalho maravilhoso pelos agentes pastorais, sobretudo leigos catequistas, na transmissão da fé;
As Paróquias europeias são cada vez mais multiculturais e participadas por cristãos de várias origens, provocando o diálogo e a relação entre as comunidades;
As Missões envolvem-se sempre mais no processo de participação nas dioceses segundo o modelo da “pastoral inter-comunitária”, estreitando laços de comunhão, colaboração e vida em comum dos cristãos independentemente das suas origens.
A Missão é chamada a ser comunidade-ponte no acompanhamento dos migrantes lusófonos, colocando-os em relação com outras comunidades (italiana, croata, espanhola, polaca…) e com as paróquias locais. Os migrantes são a parte mais viva e visível do Povo de Deus em países de acelerada secularização.
É grande a diversidade de contextos culturais e eclesiais que caracterizam a participação das comunidades lusófonas na igreja local, salvaguardando-as assim da tentação de uma uniformização da sua ação pastoral.
A maioria das dioceses de acolhimento encontram-se em reestruturação interna através da criação de unidades pastorais (novas paróquias) e da reorganização económica exigindo das Missões uma nova adaptação e definição do lugar das comunidades.
Conclusões:

Encarrega-se a OCPM de transmitir ao Secretariado Nacional da Educação Cristã – entidade que produz o material catequético usado por muitas comunidades – o fruto da nossa autocrítica, experiências e inquietações sobre a catequese em situação migratória.
Solicita-se que a Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana estabeleça diálogo bilateral com as suas congéneres, sobretudo, onde a atual tendência de reestruturação pastoral e económica (recursos) estão em curso, com consequências para o futuro das Missões.
As Missões – parte viva da igreja – comprometem-se em continuar o caminho gradual e necessário relativamente à “participação” na vida das dioceses onde estão inseridas, com vista à comunhão da mesma fé, à catolicidade e construção do único Povo de Deus.
As Missões prosseguem na aposta formativa em relação aos leigos, especialmente na área da catequese e do catecumenado de jovens e adultos.
Em sintonia com o comunicado emitido sobre a atual crise migratória vivida pela União Europeia, os participantes comprometem-se em “continuar a sensibilização e a informação das nossas comunidades de língua portuguesa e dioceses onde estamos inseridos, para atitudes e comportamentos solidários, recusando todas as ideologias alarmistas que espalham o pânico, defendem preconceitos e nacionalismo exacerbado, impedindo a abertura intercultural e a filosofia do encontro com o outro”.

Fonte: Bomdia




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